sábado, 25 de agosto de 2018

Empresário diz que pagou R$ 1 milhão em propina a amigo de Temer

Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o empresário Marcelo Castanho disse que pagou propina ao coronel José Baptista Lima Filho, ex-assessor e amigo do presidente Michel Temer (MDB) há mais de 30 anos. O testemunho foi realizado no dia 13 de julho, na Superintendência da Polícia Federal.

Dono da empresa de publicidade Alumi, Castanho depôs no âmbito do inquérito dos portos, que investiga se o presidente editou um decreto para favorecer empresas que atuam no setor portuário de Santos, em São Paulo. Ele foi ouvido pelo delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pela investigação. LEIA MAIS

Segundo informações do G1, Castanho disse que pagou R$ 1 milhão a Argeplan, empresa em que o coronel Lima é sócio, em meio à negociação para explorar a área do Aeroporto de Brasília com publicidade, em 2014. Castanhos afirmou que fez uma parceria com o empresário Rodrigo Castro Neves, que era próximo do então presidente da Inframérica, José Antunes Sobrinho.

Assim, "quando tudo já estava acertado, em setembro de 2014", Neves comunicou a mudança no pagamento e disse que, por orientação de Sobrinho, R$ 1 milhão deveria ser pago a Argeplan.

Em sua defesa, Castanho argumentou que não faria nenhum pagamento sem nota fiscal ou um contrato que justificasse esse dinheiro. Porém, ele teria recebido um e-mail de Sobrinho, o orientando a resolver o problema com o "Doutor Lima".

Apesar da negociação envolvendo a Argeplan, Castanho disse à PF que, quando recebeu o contrato, ele estava no nome de outra empresa, a PDA - Projeto e Direção Arquitetônica, que é de propriedade da esposa do coronel, Maria Rita Fratezi.

Todo a negociação entre Castanho e Lima foi feita por telefone ou e-mail. "Alguém precisa entrar em contato comigo ou com a arquiteta Rita Fratezi para acertar a formatação do contrato", escreveu o coronel, de acordo com o Jornal Nacional. O jornalístico teve acesso às mensagens trocadas entre os dois.

Castanho diz que a PDA chegou a fazer um projeto, mas ele nunca foi utilizado porque só foi entregue depois que os painéis de publicidade estavam instalados. Mesmo assim, registros obtidos pelo JN apontam que a Alumi pagou R$ 469 mil e depois R$ 622 mil para a PDA. Quanto à taxa de R$ 1 milhão paga ao coronel, a polícia investiga se foi repassada ao presidente Michel Temer.

O presidente é o principal investigado em toda a operação. A suspeita é de que o coronel, que chegou a ser preso em março deste ano para depor, seja um operador de propina do emedebista. Tanto a defesa de Temer quanto a de coronel e Maria Rita negam as acusações. Os representantes de José Antunes Sobrinho afirmaram que ele já prestou esclarecimentos sobre o caso. Já a Inframérica confirmou que tem um contrato de cessão de espaço com a Alumi, mas garante que nunca contratou a PDA.

Informações do G1

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